
E lá estava ele naquela noite, na mesma festa, encostado na espera de alguém, de alguma coisa.Não havíamos combinado aquele encontro,(não mesmo) portanto, eu seria o inusitado.E lá estava ele, sem saber o que fazer com as mãos desde que parou de fumar.(Infelizmente ele não parou de fumar,mas também não sabia o que fazer com as mãos).Parecia nem notar que todos se divertiam, os olhos baixos sem observar.Não pude identificar se sua expressão era de indiferença ou tristeza, talvez nostalgia de qualquer época em que sentia mais disposição pras coisas mundanas.Era ele ali, deslocado, encostado na insistência de querer ser o que já não era.De qualquer forma, estava ali, no canto, disponível e mortal. E eu que não tinha mais qualquer apego àquela história,(não tinha mesmo!) poderia surgir como uma breve alegria, dessas que passam a noite em claro com alguém só pra dar um fôlego novo pra retomada da realidade.(Sei que observei tanto, que alguma coisa trouxe o olhar dele pra mim. Sorri, ele também).
E lá estávamos nós, na mesma casa: tantas palavras derramadas nos ouvidos, na língua. Os dedos dele escutando meus seios taquicardíacos.E ele sabendo o que fazer com as mãos desde que parou de fumar. Os olhos firmes, dentro dos meus. Era ele sendo o que estava, alguém disponível e mortal.Pude identificar a expressão de desejo. Meus quadris encaixados em suas coxas, escalando seu corpo lentamente, adiando o ápice, fazendo suspenses tolos. E lá estávamos nós: dedos e línguas, sonhos e poros, sussurros e supiros, suor e saudade, pulsação em todas as partes. Então, finalmente, o ápice. E o vinho que estava na taça e depois no umbigo,agora no sofá.Uma mancha que arrancaria um risinho cúmplice e safado quando fosse notada no dia seguinte (uma marca na pele,um botão que fora perdido)depois que a alegria já tivesse ido embora...E lá estava eu: “a alegria” virando a esquina num dia de tanto sol (chuva).
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Marla de Queiroz
Porque o fim de semana foi noite,vida, sorrisos doados,e recepcionados,abraços quentes e sinceros, muita música boa ao fundo, telefone que quase não me tirou de casa,foram as pessoas novas na vida,
foram os amigos, os re-encontros, a atitude inusitada, a saudade morta, a loucura misturada a doçura, a cerveja gelada com gosto de alegria...a garoa, a pele fria aquecida...
E no final da festa,depois que a chuva [da semana inteira]se foi, o que restou foi o perfume na roupa,as marcas na pele, e um botão a menos na roupa,que não fará tanta falta,mas proporcionará sorrisos, toda vez que usar a roupa que dele era contida.
E pra mim, esse é um dos melhores textos dela, da Marla, da Marlinda de todas.
Porque eu me apaixonei por esse texto, praticamente no mesmo momento que me apaixonei por ele.
E agora, em meio a esse re-encontro [com o texto, e a pessoa], decidi postá-lo.
Porque, não canso de ler.
Porque tem tudo a ver.
Porque ela é mágica na forma do escrever.
E a semana ta começando.
E dela eu só quero o querer de viver.
beijos a todos.